História do Centro Dom Vital

A história do Centro Dom Vital (CDV) é longa e complexa, como atestam as décadas que testemunham o seu trabalho e a sua atuação no meio intelectual brasileiro. Fruto de um contexto de revitalização do catolicismo brasileiro numa perspectiva militante, no qual as palavras de ordem eram defesas apologéticas à religião e à doutrina da Igreja, bem como ao magistério clerical da sua hierarquia. Não bastava ser católico apenas no nome, nas estatísticas, pois o momento urgia uma ação mais sólida e contumaz do laicato comprometido e participativo.

Foi assim que, em 1921, foi lançada a revista A Ordem, embrião do CDV. Tal publicação foi idealizada por Jackson de Figueiredo e pelo Cardeal D. Sebastião Leme, que classificou o periódico como “a maior afirmação da inteligência cristã no Brasil”. Quando do seu lançamento, foi amplamente distribuída pelo país através de assinaturas e também por distribuição avulsa no sentido de divulgá-la. O historiador Riolando Azzi explica o porquê do nome A Ordem: “A palavra Ordem evoca o lema da República, Ordem e Progresso, estampado na bandeira brasileira, de sabor positivista.  Em face dos movimentos revolucionários que começam a se manifestar, os católicos, sob a liderança de Jackson de Figueiredo, levantam a bandeira da Ordem”.  

A experiência de um ano produzindo e distribuindo A Ordem sedimentou um desejo maior e mais audacioso: a criação de uma entidade de intelectuais católicos – o Centro Dom Vital. Este foi fundado no ano seguinte, por Jackson de Figueiredo, em pleno turbilhão do centenário da Independência, da Semana de Arte Moderna, do Tenentismo e da fundação do Partido Comunista Brasileiro.

O CDV tomou a dianteira do movimento católico leigo em todo o Brasil. Seus líderes organizaram a Confederação Nacional da Imprensa Católica, com diversas publicações de jornais e revistas. Além disso, geraram os primeiros núcleos das universidades católicas em todo o país, a começar pela PUC-Rio, através da Ação Universitária Católica, surgida em 1930.  Foi através da produção acadêmica dos seus membros que muitos bispos promoveram suas concepções teológico-pastorais sobre a família, educação, política e ordem social, procurando meios e articulações para que tais assuntos entrassem na legislação brasileira ou, pelo menos, fossem discutidos.

Podemos dizer que, pelo Centro e suas estruturas, passaram as grandes decisões da Ação Católica Brasileira, especialmente através da criação, fortalecimento e atuação de entidades especializadas, tais como: Apostolado da Oração, Legião de Maria, Pia União das Filhas de Maria, Centro da Boa Imprensa, Associação Universitária Católica, Liga Eleitoral Católica, Departamento Nacional de Imprensa, Rádio e Informação, Departamento Nacional de Cinema e Teatro, Departamento Nacional de Defesa da Fé e da Moral e tantos outros organismos que compões a rica história do catolicismo brasileiro.

Inúmeros foram os intelectuais que passaram pelo CDV e nele deixaram suas marcas. Dos seus primeiros anos lembramos de Jackson de Figueiredo, Alceu Amoroso Lima, Hamilton Nogueira, Gustavo Corção, Sobral Pinto, Jônatas Serrano, Pe. Leonel Franca, Dom Martinho Michler, Dom Tomás Keller, Frei Pedro Secondi, Augusto Frederico Schmidt, Murilo Mendes, Octávio de Faria, Jorge de Lima, Ismael Nery, Di Cavalcanti e tantos outros. Mais próximos dos nossos dias temos Lúcia Miguel Pereira, Eduardo Prado de Mendonça, Arthur Rios, Gustavo Miguez de Mello, Tarcísio Padilha, Luiz Paulo Horta, Carlos Frederico Calvet, Ricardo Cravo Albin, dentre vários nomes.

Como toda instituição, o CDV teve altos e baixos, momentos de profunda crise identitária e de atuação, ocorridos especialmente durante a após o Concílio Vaticano II, quando a própria Igreja vivenciou momentos difíceis em relação à renovação da sua doutrina e da sua práxis pastoral.

Todavia, no seu centenário que já se deslumbra, é mister afirmarmos que o Centro Dom Vital continua vivo e dando a sua resposta às demandas da pós-modernidade, tão fluida e complexa no que concerne às identidades e ideologias que a configuram. O Centro continua sendo um espaço de debate e convívio das diferenças, sempre à luz do Evangelho e da Tradição, oferecendo à sociedade a sua experiência e seu vanguardismo em diversas questões.

Texto gentilmente produzido pelo sócio Leandro Garcia


Quem é Dom Vital

Dom Vital, cujo nome era Antônio Gonçalves de Oliveira Júnior, nasceu no Sítio Jaqueira do Engenho Aurora, no município de Pedras de Fogo na Paraíba, à época território do Estado de Pernambuco, em 27 de novembro de 1844 e faleceu em Paris em 04 de julho de 1878. Ordenou-se sacerdote franciscano em 02 de agosto de 1868 e recebeu a sagração episcopal em 17 de marco de 1872, tendo sido o 20o bispo de Olinda.

Dom Vital foi protagonista na Questão Religiosa, conflito ocorrido no Brasil entre a Igreja Católica e a Maçonaria (de março de 1872 a setembro de 1875) por conta da interdição imposta pelo próprio Dom Vital e pelo Bispo do Pará, Dom Antônio de Macedo Costa, ao clero e aos católicos de se relacionarem com a Maçonaria. O bispo chegou a ser preso em 1875, por ordem do Visconde do Rio Branco, maçom e Presidente do Conselho de Ministros do Imperador Pedro II à época.

Seus restos mortais se encontram sepultados na Basílica Menor de Nossa Senhora da Penha, no Recife, aos cuidados dos frades capuchinhos.


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